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06-06-2008

Dança do ventre ou fábrica de clones?

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Olá colegas, resolvi escrever este artigo depois de passar uma manha preguiçosa na Internet atrás de vídeos de Dança do Ventre pra me distrair, mas uma vez volto ao ponto inicial: De onde vem tanta falta de personalidade? Será que a dança é uma fábrica de clones? Pelo menos no Brasil eu estou convencida que sim, o tema é tão providencial que a única novela brasileira que divulgava maciçamente a Dança do Ventre se chamava O clone, acaso? Sinceramente eu não acho.
Toda vez que surge uma "inovação", parece que todo o contingente de bailarinas brasileiras se sente obrigado a seguir os ditos "novos" moldes da dança.
Pois bem, como vocês sabem, eu já tenho mais de uma década de dança e já presenciei milhões destes modismos, enumerarei alguns aqui.

Quando eu comecei em 1997 a grande estrela da dança no Brasil era a Cláudia Cenci, então, toda bailarina que se prestasse tinha de ter roupa do ateliê Tony e Roby e fazer os mesmos trejeitos da Cláudia, (que são bem característicos vocês podem ver no vídeo a baixo), o uso das mãos, o movimento do olhar as poses a cara de boneca, TODO MUNDO ERA IGUAL! Tinham também as que só lembravam e algumas bravas guerreiras que eram diferentes, mas por algum motivo não apareciam nos grandes eventos da época. O maior era o mercado persa, que inclusive tinha milhões de concorrentes exatamente nos mesmos moldes.
http://www.youtube.com/watch?v=1A0L1i5kvi8
(o vídeo da Claudia não é da época, mas da pra entender do que estou falando).

Pois bem, ai veio a Najua com o vídeos os 4 elementos, um sucesso absoluto! O que transformou dançar com a espada uma obrigação moral!
Os rolamentos no chão (que de fato são uma criação da Gisele muitos anos antes) a espada na barriga com movimentos ondulatórios, a espada na coxa, e sobe a coxa, shime com a espada na cabeça, giros com a espada na cabeça, todos estes movimentos feitos pela Najua no vídeo pareciam ser movimentos obrigatórios da dança, e sem falar da musica que parecia ser a única possível de se dançar com a espada.
Era quase como uma Ballet de repertorio cujo solo é aquele, a música é aquela e é um crime não dançar igual. Bem mando a vocês o vídeo da Najua, e tenho certeza que vocês já viram outras bailarinas fazendo as mesmas coisas.
http://www.youtube.com/watch?v=GfebwEGWn6k&feature=relate

Nesta época, (fim da década de 90) a khan el khalili já existia ma a LuLu não era o furor que é hoje em dia.
Para mudar esta situação, ela começou a viajar e fazer aulas fora do país, pois bem, foi nos EUA que ela descobriu o véu de Palha de Seda ou Seda Etuale como se chama em SP, pois é garotas, creio que essa parte da historia vocês já conhecem....O primeiro foi o de arco – íris, muito popular ate hoje, era uma obrigação: Ou tem ou morre! Depois os da Tetê solto com colorações diversas... e o país se rendeu! Acabaram - se as opções. Véu só de seda! E só tingido! Nada mais de outros tecidos, nem outros modelos, é crime!
Ao mesmo tempo a Lulu inventou uma outra maneira de usar o véu, que até então se dançava a maneira da Cláudia que aprendeu com a Samira, que ensinou o mundo inteiro: Véu só com musicas lentas e movimentos suaves, usava - se muitas entradas lentas, fazendo poses com o véu e se ocultando atrás dele “o véu é a alma da bailarina, não maltrate a sua alma” acredite era isso que ensinavam pra gente na época.
Pois bem isso vocês também conhecem, onde esta o veuzinho lento, gentil suave? Morreu! Agora é lei: véu tem de ser com movimentos vigorosos, com música de impacto e quanto mais movimentos com ele melhor! Enrola, desenrola, joga, solta, gira, principalmente isso, gira muito rápido várias vezes! Que diabos de bailarina é você que não sabe girar? Tem de girar sim! Dança do ventre é giro! Eis que surge mais uma lei... e esta vigora até os dias de hoje.
http://www.youtube.com/watch?v=Dhujg-ljzGs

Eis que no novo milênio surge uma alternativa, que eu e muitas corremos ansiosas para ver com nossos próprios olhos, a LUXOR, com a Hayet e seu IAMED, prêmio conseguido na Califórnia, estilo de dança até então conhecido por alguns poucos gatos pingados no Brasil (eu já conhecia, houve uma breve febre de Suhaila Salimpour no Brasil na década de 90).
Era muita coisa nova, uma bailarina que se auto - intitulava grande mestra, roupas de lycra, estrutura empresarial digna da Herbal Life, coreografias holliwoodianas e lá estava ele: A próxima lei insolúvel da dança do ventre brasileira - o Véu Wings.
Quem ousa hoje em dia não dançar de Wings? QUEM? Bem fora eu muito poucas. E as roupas de lycra então? Ta até difícil achar as velhas de cinturão carregadas de franjas. E apalavra professora? Sumiu do vocabulário de quem dança. Agora quem é boa se chama MESTRA! Eu só me pergunto quantas delas concluíram o mestrado...
http://www.youtube.com/watch?v=7eJlQN-n8jo

Agora de norte a sul TODO MUNDO QUER SER A NOVA BELLY DANCE SUPRSTAR! Acharam até uma no Brasil! E eis que no novo milênio Dança do Ventre deixou de ser uma dança árabe pra ser uma dança americana, isso mesmo AMERICANA! Com as Belly Dance Super Star como os maiores ícones da dança mundial, e suas fusões, torções e distorções e estilos extraídos da cabeça de alguns super produtor de Hollywood. As Super Star sim, essas sabem o que é Dança do Ventre!
http://www.youtube.com/watch?v=_k-ZIdQZhz8&'

E lá vão milhares de outros modismos copiados sem questionamento algum por minhas colegas: roupa de fuxico, roupa com flor de plástico, calça tipo banda de forró, tribal, fusion, imita a Samara, imita a Amany, imita a Dina, imita a Lulu, imita a Hayet, imita a Jilina, imita a Saída, imita, imita , imita, imita, imita.....
CHEGA! Vamos dar um basta a esta fábrica de clones, a final nos estamos falando de ARTE, e ARTE (escrevo com letras capitais para frisar a importância da palavra) significa criatividade, unicidade, personalidade, goste ou não goste e história da arte é feita pelos inovadores, pelos precursores, todos os clones - ou seguidores se quiserem escolher uma palavra mais suave - não serão contemplados pela historia.
Vivam as bailarinas com personalidade! Vivam aquelas que ousam ser si mesmas! Três hurras aos céus para as colegas que a despeito das leis vigentes na Dança do Ventre brasileiras tem a bravura de serem elas mesmas! Abaixo os clones! Espero que você leitora desista de ser mais um.


Maíra Magno
Bailarina e professora de Danças Árabes.
(não mestra, eu não fiz o mestrado!)

Comentários

Ótima colocação eu achava que era só eu que pensava assim, é tão difícil encontrar bailarinas de dança do ventre que tenham personalidade em sua dança que até agente fica com medo de inovar achando que tem que ser tudo igual ou então os outros vão ahar que não é dança do ventre!

Escrito por: Carol | 20-06-2008

Jay! Yahoo! A Liberdade da Dança não morreu! A expressão da Alma dentro da Dança ainda é o mais belo. Om Shanti
Geeta

Escrito por: Geeta | 16-09-2008

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